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Olheiro que descobriu Adriana Lima afirma: 'A cada 100 mil, uma vira top'

 

Shirley Mallmann, Adriana Lima e Fernanda Motta: tops estão entre as modelos descobertas por Pietro Di Marcos (Foto: Reprodução / Instagram
 

Quando uma menina sonha em se tornar modelo, logo busca inspiração em Gisele Bündchen. Mas se tornar a próxima supermodelo número 1 do mundo é tarefa (quase) impossível. Que o diga o scouter Pietro Di Marcos, de 55 anos. Em pouco mais de 30 anos de carreira, o profissional revelou dezenas de modelos, mas apenas três delas se destacaram acima das outras: Adriana Lima, Fernanda Motta e Shirley Mallmann.

"A Gisele é uma lenda, ela é a única no mundo. Tenho quase 40 anos de trabalho, me dedico 24 horas por dia a isso e tenho três übermodelos (quando a top atinge um patamar acima das supermodelos). Agora imagina quantas meninas eu conheci nesse tempo todo? É muita gente! Só que a cada 100 mil delas, uma vira top", afirma ele, com o devido conhecimento de causa.

Segundo Pietro, descobrir novos talentos é como lapidar um diamante bruto. E não há muitos por aí. "Não é só ter olhos azuis, boca carnuda e pernas longas. Na maioria das vezes você avalia uma menina ou rapaz que você achou no interior, cheios de espinha, sem postura, com umas roupas esquisitíssimas, e enxergar essa pessoa já pronta, como top model", conta.

"Hoje consigo identificar alguém com potencial em três segundos. Você olha a altura, vê se a perna é reta, se o tornozelo não é grosso, até porque se for grosso o mercado não vai absorver. Não pode ter muito quadril nem seios enormes. Analiso se não tem olhos fundos, se o formato do rosto é harmônico, se não tem os olhos muito juntos ou separados demais. São vários pontos que você tem que identificar e estamos falando apenas da parte externa. Já aconteceu, por exemplo, de achar meninas lindas, mas que na hora de ver o conteúdo, a pessoa não corresponde, porque é difícil de trabalhar, não é disciplinada, não leva a sério. Tem que ter muito foco para dar certo", decreta.
 
Adriana Lima, Fernanda Motta e Shirley Mallman: as supertops
Entre as descobertas de Pietro, o trio de tops são, de longe, as mais famosas. As histórias de cada uma delas, no entanto, são bem diferentes entre si. "Quando conheci a Shirley Mallmann, ela já havia vindo do interior e morava em Porto Alegre há cinco anos tentando ser modelo. Nunca dava certo porque diziam que ela era esquisita, magrela demais, com um nariz muito expressivo. Quando a vi, na hora falei: 'Você tem que ir para São Paulo agora'. Não deu outra, ela se mudou e logo depois foi para fora fazer vários desfiles", relembra.
 
 
No caso de Fernanda Motta, por pouco a top e apresentadora não deu atenção a ele. "A descobri quando ela estava andando em Guarapari, uma praia no Espírito Santo, e na hora ela nem me deu atenção. Ela tinha 18 anos e nunca tinha pensado em ser modelo. Ela é de Campos, mas estava de férias andando na praia, acompanhada do namorado na época, de uma prima e da irmã. Ela não quis nem saber de mim, mas convenci a prima dela a me dar o telefone da casa dela, em Campos. Liguei para a mãe dela e viajei até Campos para tentar convencer ela e a família. Deu supercerto."
 
Entre as três, no entanto, Adriana Lima é quem tem um lugar especial no coração de Pietro. "Descobri a Adriana quando estava em Salvador. Com ela tive um pouco mais de contato, fiquei dois meses preparando para o mercado, mas nem tive que fazer muita coisa: ela já era magra, tinha uma pele maravilhosa e um cabelo lindo. Logo depois, ela participou do concurso Supermodel of the World, ficou em primeiro lugar na etapa do Brasil e em 2º lugar na etapa mundial. Tenho guardadas até hoje as cartas dela", relembra ele.
 
 
'Se tornar uma supermodelo se tornou muito mais difícil', diz Pietro
Segundo o scouter, muito mudou desde os anos 1990, quando o Brasil exportou uma longa lista de tops. O mercado mudou bastante. Hoje em dia, não basta ser bonita e ter disciplina. É muito importante que a modelo tenha esse desejo de se educar, aprender inglês, de querer entender a própria indústria", diz Pietro. "Não dá mais para começar a carreira e não saber o nome dos estilistas mais conhecidas, ter algum conhecimento, sabe? Há 20 anos atrás, pegar uma menina e colocar na capa de uma revista não era tão difícil. Hoje, chegar ao topo ficou muito mais complicado", afirma.
 
 
 
 
Por Rodrigo Santana 09 de agosto de 2016.
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